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Por Rodrigo Freire
Essa é a estréia da coluna Hey hey,
my my, escrita para pessoas que, assim como eu, acreditam que o rock é
importante (estaremos enganados?). E vamos de cara a um desafio: tentar
entender o que aconteceu de mais relevante até agora no cenário
rock da década de zero. Assumo os riscos de dizer besteiras por
se tratarem de acontecimentos tão recentes. Porém, nada
substitui a excitação de falar sobre o tempo presente, o
nosso tempo.
A grande banda do final dos anos 90 conseguiu o que queria em 2000: deixar
o público totalmente desnorteado com o surpreendente Kid A. O Radiohead
viajou na sua angústia de fim do milênio e foi parar em outro
planeta. É claro que havia beleza ali, assim como no sucessor,
Amnesiac, mas uma beleza alienígena. Uma rasteira em quem apostou
que Thom Yorke iria agarrar sua chance de levar o Radiohead ao topo do
mundo.
Com esse vácuo aberto e aumentado pela decadência de Blur
e Oasis (ou seja, o fim do britpop), surgiu a deixa para Travis e Coldplay.
Causando ódio ou adoração (como toda boa banda inglesa),
eles são pop e são sensíveis. Não dá
pra negar o apelo das canções de A rush of blood to the
head, novo disco do Coldplay. Quem não se emocionar com elas perdeu
o coração em algum lugar na década passada.
Ainda tratando dos sons pós-Radiohead, méritos para os Doves
e Badly Drawn Boy, que seguem caminhos menos pop, mas com igual sensibilidade.
E, antes de sair do Reino Unido, paramos na Escócia, de onde saiu
o Belle & Sebastian para causar frisson no Brasil, Delgados e o ótimo
Idlewild.
Mas o melhor do novo rock vem do seu próprio berço: os EUA.
De Nova York, veio o fenômeno Strokes anunciando: "Foda-se
o rap e as boy bands. Foda-se a Britney, a nova década é
rock". White Stripes, Trail of Dead, Black Rebel Motorcycle Club,
todas com influências de décadas passadas, mas com um frescor
incrível. O alt.country, anunciado há anos como "the
next big thing", finalmente vem dando maiores frutos: Ryan Adams
e Wilco engrossam a lista da supersafra americana. Até os órfãos
do Pavement e os descontentes com os estranhos rumos do Weezer estão
alegres: acharam Ben Kweller.
A fertilidade parece se espalhar pelo mundo. Da Suécia vêm
o (International)Noise Conspiracy e os superhypes The Hives. Da Austrália
o Vines, que lançou esse ano a pérola pop Highly Envolved.
Obviamente, é um risco se deixar levar pelo hype, tão efêmero
e enganador (dá pra acreditar em Andew WK?). Mesmo assim é
inegável que vêm sendo lançados bons discos numa freqüência
maior que o normal.
E, deixando a cereja do bolo para o final, falamos agora de Songs for
the deaf, da banda que roubou do Radiohead o título de melhor de
todas. Cada vez mais estranha e claustrofóbica, cada vez mais perfeita
e pop, a música do Queens of the Stone Age causa impacto imediato.
A guitarra direta de Josh Homme é uma reação agressiva
ao mundo cada vez mais frio. Uma reação neurótica
à paranóia da década zero.
É isso aí, Hey hey, my my estréia num momento feliz,
ao som de "You know you're right", com Kurt Cobain ressuscitando
só para provar que o rock'n roll will never die.
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