Avril Lavigne

Perdoem Avril Lavigne! Tanto faz se ela disse que era o novo Sid Vicious, pôs uma barata boca, fez um parco cover de Knock´ on Heave´s Door...

Aperto o play. Uma seqüência de quatro singles, dos quais três são muito bons, está preste a começar. Os gritos furiosos e graciosos de “Losing Grip” começam a encher o meu quarto de barulho. Todas as músicas do debute da menina canadense de dezessete anos deixam a impressão de que são compostas de adolescente para adolescente. Sem análises preconceituosas, “Let Go” (Avril Lavigne, Let Go, 2002, BMG) é um bem produzido petardo creditado a uma menina que se diz punk. As treze faixas do disco deixam o ouvinte com a sensação de que já ouviu antes cada uma das gemas pop. Inicia a faixa dois, com a rebeldia de shopping da deliciosa “Complicated”. Avril Lavigne é punk de boutique e uma cena do clipe desse hit ilustra bem tal afirmativa: A mocinha vem correndo com a rapaziada skatista, quando todos se arremessam numa piscina a garota freia, ou melhor, apenas finge que pula. Chapinhas em belas madeixas loiras estão aí pra ser preservadas, não é mesmo?

E se for pop dizer que é punk, melhor (ou pior) ainda é dizer que é “o novo Sid Vicious”. Talvez Avril não tenha feito essas e outras cagadas de modo premeditado. Essa pirralhada faz cada coisa... No clipe de “Sk8ter boi” ela comeu uma barata durante as gravações. Essa pirralhada, realmente, faz cada coisa... “Sk8ter boi” é repleta de futilidade à la novelinha global em seus versos. Enfim, é o pior single. Mas de repente me pego cantando o refrão que rima “sk8ter boi” com “boy”. Acho que vou pular a quarta faixa, ela dá vontade de chorar e sorrir ao mesmo tempo. Não “consiiigo” pular, prefiro conferir o arranjo bonito da balada-pranto “I’m with you”.

É óbvio que não só de singles se faz um fofo petardo de sucesso. “Mobile”, a faixa cuja introdução lembra “A Sua Maneira” do Capital Inicial, parece ter sido composta originalmente para Britney Spears. Avril brinca de ser rapper em “Nobody’s Fool”. Mas só até o “lalala” do dançante pré-refrão, onde joga toda a pose de mauzona pro alto. O vocal da “Things I’ll never say” seria fruto dos tempos em que Avril tinha 10 anos e escutava muito Cranberries? Nos idos de 95, Dolores O’Diordan talvez tenha sido uma das musas da garota de olhos claros e calça larga. “Anything but ordinary” é mais um ponto alto do CD. Até agonizando Avril Lavigne continua fofinha. Enquanto grita: “Somebody rip my heart out/ And leave me here to bleed”, penso: “Ela quer ser tudo, menos ordinária”. Avril não obtém o que deseja: Ela é uma adolescente comum, responsável por um punhado de músicas comuns. Comuns e perfeitas.