deus existe...ou melhor já existiu!

Rubin Steiner

Você acredita em deus? Bom, eu não acreditava até comprar o cd deles na loja, isso em 1994 quando eles lançaram Worst Case Scenario, um álbum completo daquilo que aprendemos a definir como música. Um trabalho cheio de improvisação, com influências que iam do punk ao jazz, do folk ao prog-rock. Esses belgas inclusive, por um milagre, passaram pelo Brasil para uma apresentação no Abril pro rock (1996), um daqueles shows que dificilmente veremos de novo, praticamente histórico. O propósito em falar nessa banda chamada deus (em minúsculo mesmo), deve-se ao fato de que nem sempre abrimos nossos horizontes para bandas que não sejam americanas ou inglesas, esquecemos que Austrália, Nova Zelândia, Bélgica, Suécia, México, Argentina, França e outros países nos dão bandas tão boas e significativas quanto nossos amigos ingleses e americanos.

Se você quiser um exemplo do que estou falando é só procurar na internet bandas como Rubin Steiner (França), Mano Negra (Espanha/França), Young Gods (Suíça), International Noise Conspiracy (Suécia), The Avalanches (Austrália) e você terá um pequeno apanhado do que é a “globalização” musical, gente de todos os cantos divulgando seus trabalhos pelo mundo. Outro detalhe que chama a atenção aqui no Brasil, é o preconceito com as bandas da América Latina, o Café Tacuba por exemplo é uma banda mexicana que oferece uma música contemporânea, mas pouco se sabe sobre eles por aqui, na maioria das vezes isso ocorre porque estamos acostumados aos padrões americanos de consumo, ainda temos aquela imagem estereotipada de nós mesmos, o que nos impede de conhecermos mais a cultura ao nosso redor, são poucas as tentativas dos meios de comunicação de interagir com esses artistas, mesmo eles sendo nossos vizinhos, acaba sendo mais fácil e rentável explorar os “charts” americanos e ingleses. Isso também é visto no cinema, onde grandes filmes feitos fora dos Estados Unidos acabam passando batidos por aqui.

No entanto, com a internet passamos a não depender mais desses meios, podemos conhecer aquilo que realmente nos interessa, sem ter que seguir os padrões mercadológicos, resta-nos o bom senso crítico e um pouco de curiosidade para descobrirmos que certos países também têm seus coringas na manga.

Falando em bandas de outros países, resolvi traçar uma pequena biografia para que vocês possam pesquisar o trabalho feito por essas bandas. Começando pelos franceses do Rubin Steiner, eles participaram no ano passado do festival Hype 2 em São Paulo e no Curitiba Pop Festival. Mostraram uma música de vanguarda que flerta com o jazz e com a música eletrônica, influenciado na adolescência por ícones do hardcore como Black Flag e Fugazi, e também pelos rappers do De La Soul, Fred Lanier, líder do grupo, fez de seu primeiro trabalho um marco do electro-jazz chamado Lo-Fi Nu Jazz, vol. 2, lançado em 2000 e aclamado pela crítica, depois desse álbum, eles lançaram Wunderbar Drei e Wunderbar 3 ambos em 2002, apenas este último está disponível em versão nacional.

Quanto ao Mano Negra, fica difícil dizer alguma coisa sobre uma banda que em seu primeiro disco canta em inglês, francês, espanhol e árabe, isso tudo lançado em 1989, em seu primeiro e melhor álbum chamado Puta’s Fever, em 1992 a banda passou pelo Brasil e fez shows ao lado da Cia. Royal de Luxe, uma trupe de teatro que nos trouxe a vanguarda do teatro ao lado da vanguarda musical francesa. Com o final da banda, seu vocalista Manu Chao partiu em carreira solo e lançou álbuns interessantes, ainda seguindo a vertente mambembe do Mano Negra.

Sobre o Young Gods, antes mesmo da explosão da música eletrônica, eles fizeram um dos discos que se tornou um marco na música de vanguarda, lançado em 1989, L’eau Rouge (The Red Water), marca o flerte entre a música clássica e o eletrônico, na época classificada como industrial. Vindos da Suíça e tendo nos vocais um brasileiro, o Young Gods continua na ativa e lançando ótimos trabalhos, entre eles TV Sky e Second Nature.

O International Noise Conspiracy, marca a nova safra do rock escandinavo, extremamente políticos, suas músicas servem de estímulo para qualquer manifestação antiglobalização, entre os temas de suas músicas estão Capitalism Stole My Virginity e Bigger Cages, Longer Chains, ambos nomes de EP’s lançados pela banda, vigor punk com atitude política extrema, altamente recomendado.

Para finalizar o que dizer do The Avalanches, esses australianos chapados, samplearam tudo que existe e fizeram o estonteante Since I Left You, excursionaram com Beastie Boys e Public Enemy,  chamaram tanta atenção que a banda que havia lançado seu trabalho apenas na Austrália, teve seu álbum lançado posteriormente na Europa e nos Estados Unidos, tendo figurado em quase todas as listas de melhores do ano.
Essas são só algumas das dezenas de bandas espalhadas pelo mundo que você pode descobrir e se interessar, basta procurar. Do it Yourself!

sites oficiais:

deus: www.deus.be
Rubin Steiner: http://rubinsteiner.free.fr
Manu Chao: www.manuchao.net
Young Gods: www.theyounggods.com
International Noise Cospiracy: www.digitalfarmers.com/tinc
The Avalanches: www.elektra.com/theavalanches