A energia maluca do Cansei de Ser Sexy

A energia maluca do Cansei de Ser Sexy
Às vésperas do lançamento de seu segundo álbum, "Donkey", o CSS, como é conhecido la fora, começa a ganhar destaque nos principais veículos de informação. Os ingleses The Observer e Guardian, e o francês Le Monde deram destaque ao grupo brasileiro. Abaixo você confere a matéria publicada no Le Monde, com o titulo "A energia maluca do CSS, os gozadores do rock", traduzida pelo UOL Mídia, onde o grupo fala sobre o início de sua carreira. Confira! Véronique Mortaigne (Le Monde) Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves (UOL Mídia) Quatro meninas e um rapaz: o CSS é um grupo de jovens que queimam calorias como a gente se enche de Nutella. Eles são os "enfants terribles" da cena musical maluca de São Paulo. O CSS se prepara para publicar em 22 de julho seu segundo álbum no mercado internacional, "Donkey", e viaja para Paris em 20 de junho no meio de uma turnê que os leva a percorrer os EUA antes de se apresentar em todos os grandes festivais de verão europeus (Glastonbury, Belfort, Montreux, Barcelona...). O CSS agrada em todo lugar porque o grupo é movido a energia; ele se diverte com uma forma exagerada de improvisação, confessando espontaneamente seu gosto pela festa, a boa bebida e os casos engraçados que surgem da embriaguez. E sexo, sim, mas "não mais que o sudoku", explica a cantora Lovefoxxx. Como o rock apela ao inverso da reflexão lógica, o CSS grita o contrário em cena, militando pelas noitadas passadas entre a cama e o vinho: "They were my secret evening plans/ Wine, then bed, then more, then again" [Eram meus planos secretos para a noite/ Vinho, depois cama, então mais, e mais um pouco]."Dois copos na mão"Lovefoxxx, Luiza Sá, Ana Rezende, Carolina Parra e seu comparsa masculino, Adriano Cintra (guitarras elétricas para todos), escrevem em inglês. "Porque essa língua é perfeita para o rock'n'roll", explicam em coro, em uma confusão verbal divertida. "Um brasileiro não deve mais se sentir obrigado a cantar em português, não tem sentido. Além disso, no Brasil existe o peso esmagador de poetas-cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Chico Buarque. Libertar-se disso também passa pela língua", explica Adriano, esclarecendo assim sua participação em um movimento geral que também afeta a França. O CSS apareceu em público graças aos precursores mundiais da nova distribuição de música, o selo de discos Trama, criado em 1998, ano da invenção do software de compartilhamento de arquivos Napster. Rapidamente a Trama implementou a Trama Virtual, um espaço na Internet dedicado aos amadores, ao rock marginal e ao rap. Em 2003 os futuros CSS se encontram em um antro de artistas na Barra Funda, um bairro cheio de vestígios industriais. Lovefoxxx faz grafismos e fotos, é freqüentadora da Internet em uma época em que MySpace está em gestação. Adriano tem um estúdio, uma usina de grupos efêmeros. Os outros zoam, todos se encontram no circuito dos bares antenados de São Paulo -uma compilação formidável acaba de aparecer, "Satanic Samba" (de Nacopajaz/Discograph), onde se encontra a vida musical intensa e inovadora de São Paulo. Um dia, alguém convida Adriano e suas amigas para tocar em uma festa organizada às pressas em uma loja de antiguidades. "Todo mundo bebia e filmava tudo, eu tinha passado batom em todo lugar, de tanto que estava bêbada, toquei guitarra com dois copos na mão, foi genial", explica Luiza Sá. O pequeno mas atento público da noite adorou. Uma faixa de punk rock delirante, "Ódio, Ódio, Ódio, Sorry C", é colocada na Tramavirtual. Depois seria "Meeting Paris Hilton". "Dois meses depois nos encontramos no palco do Tim Festival, com o Kraftwerk. Foi louco, a gente repetiu, não sabia o que tocar", continua Adriano Cintra. "Somos os filhos de Kurt Cobain. Quando o Nirvana veio para São Paulo em 1993 eu tive de ficar atrás das grades do estádio do Morumbi, não tinha 14 anos, e chorei", diz Carolina Parra. Hoje o CSS não tem a visão negra do grunge e não reconhece seu herói Kurt Cobain na droga e na depressão. Para eles, Cobain é um grande brincalhão de energia explosiva que quebrou os códigos ao desmanchar seus pulôveres. Para rir mais, os paulistas primários e malvestidos pegaram uma frase de seu oposto exato, a americana Beyonce, para encontrar um nome: CSS quer dizer "Cansei de Ser Sexy". "Proper Tasty" Matéria publicada no britânico Guardian