The New York Times: R.E.M. se torna veloz, furioso e revigorado

The New York Times: R.E.M. se torna veloz, furioso e revigorado
Gary Graff The New York Times Sindycate Tradução: George El Khouri Andolfato (Uol Música) Os integrantes do R.E.M. eram todos pessoas felizes e radiantes quando foram adicionados ao Rock and Roll Hall of Fame (salão da fama do rock and roll) em março de 2007. Mas os sorrisos desapareceram um pouco depois daquilo. O cantor Michael Stipe, o guitarrista Peter Buck e o baixista/tecladista Mike Mills não estavam esganando uns aos outros. Mas o trio, que nasceu como um quarteto em 1980 em Athens, Geórgia -o baterista Bill Berry deixou a banda em 1997- estava irritado devido ao mau desempenho comercial de seus últimos dois álbuns, "Reveal" (2001) e "Around the Sun" (2004). Então havia uma determinação, ao menos por parte de Buck, de adotar uma abordagem diferente quando o R.E.M. retornasse ao estúdio para dar início ao que se tornou seu novo álbum, "Accelerate". "Eu apenas acho que estávamos seguindo na direção errada", diz Buck, 51 anos, que morava com Stipe em uma igreja episcopal convertida quando ambos eram estudantes na Universidade da Geórgia. "Nós entramos nesta coisa na qual Mike e Michael passavam um ano fazendo um álbum, mexendo nele para sempre, e acho que isso arruinou pelo menos o último álbum." "Nós conversamos muito a respeito", diz o guitarrista. "Meu sentimento era de que realmente precisávamos nos manter focados. Nós precisávamos fazer um álbum conciso que fosse mais direto, e dedicar um ano não resultaria nisso." Caso seus companheiros não tivessem concordado, diz Buck, provavelmente não haveria outro álbum do R.E.M.. "Todos, eu acho, entenderam que eu não tinha interesse em gravar outro álbum da forma como estávamos trabalhando. Eu não tinha interesse em dedicar todo esse tempo fazendo álbuns que não representavam quem eu sou como pessoa ou músico." "Eu sempre sugeri que trabalhássemos de forma mais rápida e espontânea, mas os outros realmente não pensavam da mesma forma. Eu acho que, talvez, a forma como o último disco foi recebido meio que os chocou e os fez perceber... que eu estava certo." Mills, ao menos, vê da mesma forma. "Peter queria fazer um álbum desta forma há muito tempo", diz o baixista, "algo mais parecido com a forma como gravávamos nossos primeiros álbuns. Depois (de 'Around the Sun'), eu acho que sentimos que era hora de tentarmos o modo dele." Os instintos de Buck parecem ter dado resultado, pelo menos nos primeiros dias de "Accelerate". O álbum estreou no 2º lugar na parada Billboard 200, após seu lançamento em 1º de abril, e obteve algumas das melhores críticas do R.E.M. nos últimos anos, com os críticos aplaudindo o retorno da banda a um rock mais pesado, a um som mais dominado pela guitarra e pelas canções mais curtas -o álbum espreme 11 delas em 34 minutos- assim como um sentimento de que a banda estava "de volta" aos olhos tanto de fãs quanto críticos. "Todos estavam realmente positivos a respeito", diz Buck. "Eu fiquei realmente feliz quando concluímos o álbum. Eu sabia que ele era um álbum forte e ótimo. Eu presumi que seria bem recebido, mas você nunca sabe." O fato do R.E.M. se ver em uma posição de se preocupar com sua estatura foi uma surpresa para aqueles dentro e em torno da banda. Após sair de Athens com o single "Radio Free Europe" (1981) e seu álbum de estréia, "Murmur", considerado pela revista "Rolling Stone" como o melhor álbum de 1983, o R.E.M. cresceu de forma contínua, de banda favorita do rock underground a uma força do mainstream musical. O single "The One I Love" (1987) colocou o grupo na parada Top 10 da Billboard, e o álbum "Out of Time" (1991) chegou ao primeiro lugar e vendeu mais de 4 milhões de cópias nos Estados Unidos, impulsionado pelos sucessos "Losing My Religion" e "Shiny Happy People". Um declínio gradual teve início depois disso, mas inicialmente o R.E.M. não estava preocupado, especialmente devido ao declínio estar limitado às paradas americanas, com os fãs da banda no exterior permanecendo tão fortes como sempre. "Há uma certa oscilação de sua popularidade em qualquer país específico", diz Mills, 49 anos, "e no momento está subindo bastante na Europa e caindo um pouco nos Estados Unidos". "Muita coisa que a gente tem feito tem ficado abaixo do radar lá, mas isso não significa que seja menos bom. Apenas não foi notado tanto quanto gostaríamos." Mas depois que "Around the Sun" caiu muito abaixo dos padrões anteriores da banda, o R.E.M. começou a buscar a recuperação de sua força na cena musical. Ocorreram relançamentos de luxo dos seus álbuns e coletâneas lembraram os fãs de seus feitos musicais do passado. O CD/DVD ao vivo, "R.E.M. Live", capturou o show ainda potente do grupo e, segundo Buck, ajudou a conduzir Mills e Stipe até sua forma de pensar para "Accelerate". "Eu acho que Mike em particular estava dizendo, 'Deus, quem me dera pudéssemos voltar e gravar ('Around the Sun') agora'", lembra Buck. "Eu sempre sugeri que trabalhássemos de forma mais rápida e espontânea. Os outros simplesmente não se interessavam." Adotando o método de Buck, os três integrantes principais do R.E.M. e os membros adjuntos de longa data, Bill Rieflin e Scott McCaughey, se uniram a um novo produtor -Garret "Jacknife" Lee, que trabalhou com o Bloc Party, the Editors e Snow Patrol, e que foi recomendado pelo guitarrista do U2, The Edge- e começaram a trabalhar em "Accelerate" em Athens, Vancouver e Dublin, Irlanda. Trabalhando rapidamente, o grupo gravou as canções em grande parte juntos e ao vivo no estúdio, em vez de gravarem suas partes separadamente -a primeira vez que o R.E.M. fez isso, diz Buck. "Até mesmo nosso primeiro álbum foi cheio de overdubs e coisas do gênero", diz Buck, que estava guardando o riff da faixa de abertura de "Accelerate", "Living Well Is the Best Revenge", desde 1985. "Eu realmente me concentrei em dizer a todos que devíamos nos certificar, quando nós cinco estivéssemos tocando em uma sala, de estarmos soando como no disco, para que não precisássemos de overbuds. Há alguns poucos overdubs (em 'Accelerate'), mas não muitos." O processo teve um ônus diferente para Stipe na condição de letrista do R.E.M.. "Uma das coisas que eu disse foi: 'Eu nunca mais vou gravar uma canção sem vocais'", diz Buck. "Meu sentimento foi: 'Quando você tiver as letras, nós gravaremos. Enquanto não tiver, eu vou ler uma revista ou sair para dar uma caminhada'. Então o foco foi nele estar realmente preparado desde início, porque eu sempre estou e ele nunca está." "Foi realmente ótimo vê-lo chegar com seis ou sete canções prontas no início da gravação, para que pudéssemos ver em que direção estávamos indo." O R.E.M. também teve uma idéia de como "Accelerate" estava caminhando quando o grupo tocou cinco noites de show de ensaio no Olympia Theatre de Dublin, no final de junho e início de julho de 2007. "Eles fizeram aquilo que queríamos", diz Mills, "em termos não apenas de gerar interesse pelo álbum, mas também nos ajudou, eu acho, a fazermos um álbum melhor. O principal foi a reação do público. As pessoas simplesmente adoraram. Aquilo realmente nos animou para a gravação." Buck concorda que a interação ao vivo ajudou na gravação subseqüente. "Foi realmente ótimo tocar (as canções) em um tipo de ambiente cheio de adrenalina diante das pessoas, perceber que talvez esta canção precise ser um pouco mais acelerada e aquela precisa ser retrabalhada", diz o guitarrista. "Ajudou a nos mostrar que estávamos no caminho certo, e então voltamos ao estúdio e regravamos algumas coisas, simplificamos outras." A estrada será o lar do R.E.M. por grande parte deste ano e possivelmente em 2009, já que o grupo planeja divulgar "Accelerate" ao redor do mundo. Mas Buck diz que já tem "uma tonelada de canções" compostas para o próximo álbum do R.E.M., que ele espera que seja gravado da mesma forma que "Accelerate". "Eu não consigo imaginar voltar à forma como trabalhávamos antes disso", diz Buck, que também é membro do Minus 5 de McCaughey e do Venus 3 de Robyn Hitchcock. "Eu acho que todos concordam que este disco é realmente forte e que é forte por causa do modo como o abordamos." "Logo, quando começarmos a gravar o próximo álbum, eu acho que esta é a forma, no mínimo, de começarmos a prepará-lo." (Gary Graff é uma jornalista free-lance baseado em Beverly Hills, Michigan.)www.remhq.com