Arctic Monkeys critica hipocrisia do Live Earth

Arctic Monkeys critica hipocrisia do Live Earth

Os britânicos do Arctic Monkeys criticam uma suposta "hipocrisia" em relação ao Live Earth, que será realizado neste sábado (7) em nove cidades do mundo. Várias estrelas do rock também se questionam se estão autorizadas a dar lições de ecologia ao resto do mundo.

"É um pouco de paternalismo para nós, aos 21 anos, tentar iniciar uma mudança no mundo", afirmou o baterista do Arctic Monkeys, Matt Helders. "Especialmente quando utilizamos tanta energia como em dez casas para iluminar um palco. Seria algo hipócrita", acrescenta. "Sem contar que passamos o tempo todo de um avião a outro", arremata Nick O'Malley, baixista do grupo com dois CDs lançados e que já é referência do rock britânico.

Sheffield, a cidade industrial do norte da Inglaterra que é berço dos Arctic Monkeys, sofreu no final de junho com chuvas torrenciais e inundações que deixaram ao menos dois mortos, uma situação atribuída por muitos ao aquecimento global.

"Se nos pedem nossa visão do assunto, dizemos que existem pessoas mais preparadas para falar sobre isso", insiste Helders.

Os jovens músicos não são os únicos que questionam a coerência dos concertos. "A última coisa que o planeta precisa é um show de rock", opinou o veterano vocalista do The Who, Roger Daltrey. Neil Tennant, dos Pet Shop Boys, também é crítico em relação à idéia: "Eu sempre fui contra a idéia de que as estrelas do rock dêem lições, como se soubessem algo que os demais ignoram".

Porém, os organizadores do Live Earth alegam que se, como é previsto, dois bilhões de pessoas assistirem aos concertos de sábado, o futuro pode ser diferente. Nesta linha de raciocínio, prepararam diversas iniciativas para que o acontecimento seja considerado um modelo. Todas as lâmpadas usadas serão de baixo consumo e os espectadores foram incentivados a dar carona em seus veículos para comparecer aos shows. Além disso, o impacto será medido.

Vários especialistas analisarão as emissões de dióxido de carbono (CO2) do Live Earth para que depois, por meio de ações como o plantio de árvores, o efeito seja compensado.