
Repetindo a dose da semana passada, mais três álbuns lançados em 2007. O primeiro saiu já há algum tempo (março) e esteve estampado em diversas revistas, blogs, flogs e outras publicações, é inclusive cotado entre melhores do ano. Ao contrário da pretensão exposta pelo LCD Soundsystem em “Sound of Silver”, o Future Conditional mais parece uma brincadeira com a eletrônica do pessoal do Piano Magic (que lançou um álbum bem irregular esse ano), uma espécie de homenagem a alguns ícones da música eletrônica levando-nos por uma viagem aos anos 80. E o que dizer da releitura cristalina e instrumental do “Loveless” (My Bloody Valentine), feita pelo Japancakes? Alguns dirão oportunista outros dirão bela homenagem. Eu digo que é um álbum gostoso de se ouvir, que sugere uma visão do pôr do sol sentado na areia. E o que essas três bandas têm em comum, além de terem sido lançados nesse ano? Estão entre os álbuns que tem rolado em meu MP4, junto com outros que cairão aqui posteriormente.
LCD SOUDSYSTEM – THE SOUND OF SILVER
(DFA Records, 2007)
Projeto criado em Nova Iorque, em 2002, o LCD Soundsystem é idéia de James Murphy (que alguns já tem chamado até de gênio), co-fundador do selo DFA Records, que abriga em seu cast as bandas Prinzhorn Dance School, Hot Chip, Shocking Pinks. Em 2005, o LCDS chamou a atenção com seu auto-intitulado e duplo álbum de estréia, que trazia o consagrado hit “Daft Punk is Playing at my House”. Com “The Sound of Silver”, eles prosseguem na sua mistura de disco + funk + musica eletrônica + rock de garagem (disco-punk, dizem), colando sons que passam por Kraftwerk, Chemical Brothers, Brian Eno, Bowie, Daft Punk, Talking Heads, Gang of Four, New Order e outras tantas bandas. O resultado da salada é um álbum até mais coeso que o antecessor, com canções de fazer qualquer se jogar na pista e dançar até se acabar e letras sarcásticas. Pra alguns, um álbum indispensável, pra mim, mais um álbum bacana e só. Para complementar a audição, recomendaria mais alguns álbuns: “Remain in Light” (Talking Heads), “Entertainment” (Gang of Four) e “Music Non Stop” (Kraftwerk). Melhores momentos: “North American Scum”, “All my Friends” e “New York, I Love You But You're Bringing Me Down”.
FUTURE CONDITIONAL – WE DON' JUST DISSAPEAR
(LTM Recordings, 2007)
Em recente entrevista, Glen Johnson afirmou que “o futuro é um robô com coração humano”, e sob esse conceito parece se debruçar ao compor esse “We Don't Just Dissapear”. Escudado pelo companheiro do Piano Magic, Cedric Pin, convidou os amigos Melanie Pain (Nouvelle Vague), Bobby Wratten (Field Mice/Trembling Blue Stars), Angele David-Guillou (Klima/Piano Magic), Carolyn Allen (The Wake) e Dan Matz (Windsor for the Derby) para participar de seu projeto de estúdio “Future Conditional”, uma escapulida para o seu lado eletrônico que já vinha aparecendo com certa frequência, mas de forma discreta, no próprio Piano Magic. Johnson diz que o álbum não é só um exercício de nostalgia e que de alguma forma está prestando uma homenagem a bandas que eles amam e que os inspiraram, mas a sensação que mais permeia o álbum, de forma inevitável, é mesmo de nostalgia. Nostalgia dos anos 80, com referências a Kraftwerk, New Order e synth-pop em geral. Por vezes parece que estão em estúdio a brincar com os sons, testando combinações diversas pra ver onde podem chegar, nesse processo lúdico, há momentos surrupiados de “Blue Monday” (New Order) e de “Numbers” (Kraftwerk). Os melhores momentos ficam por conta de faixas que acabam lembrando o próprio Piano Magic: “We Don't Just Dissapear” e “Your Love Leaves Me Colder”.
JAPANCAKES – LOVELESS
(Darla Records, 2007)
Como ficariam as canções do My Bloody Valentine se os vocais fossem substituídos por celos ou pedal steel? Você já se fez essa pergunta alguma vez? Eu também não, até trombar com o Japancakes, que, apesar do nome, vem da mesma cidade do REM, Athens (Georgia). O Japancakes é criação do guitarrista Eric Berg e está na ativa desde 1999, tendo lançado cinco álbuns até 2004. Para 2007 apresentam dois lançamentos pelo selo californiano Darla Records: “Giving Machines” e “Loveless”, ambos totalmente instrumentais. No primeiro são sete temas próprios e mais a cover de “Heaven or Las Vegas”; já em “Loveless” eles mostram sua visão pessoal para o álbum do My Bloody Valentine faixa a faixa. O resultado é “limpo”, melodioso, transmitindo uma tranquilidade tão grande que nos deixa até com preguiça, e olha que falavam dos vocais preguiçosos de Belinda e Kevin. Aquelas canções que nos acostumamos a ouvir soterradas por guitarras distorcidas e sampleadas chegam então através de pianos, celos, pedal steel e guitarras acústicas, num clima todo brando. Para quem não conhece as versões originais pode soar muito estranho, para quem conhece, vale a pena ouvir, nem que seja por curiosidade. Melhores momentos: “Only Shallow” “When You Sleep” e “I Only Said”.