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Pop pills - Especial TIM Festival 2004

PJ Harvey

Edição especial da coluna com algumas impressões do TIM Festival, evento dedicado à música que aconteceu em São Paulo nos dias 5,6 e 7 de novembro, no Jockey Club. Não acompanhei todos os palcos e bandas, mas se você gosta de PJ Harvey, Primal Scream, Libertines e/ou Mars Volta, vem comigo!

Palco TIM Stage
Sábado, 6 de novembro de 2004

Pill #1 – É ela, é ela! PJ Harvey!

Era pouco mais de onze horas da noite quando a dama de vermelho entrou no palco Tim Stage. Ingressos esgotados há tempos, 4000 pessoas aguardavam ansiosas para ver a inglesa Polly Jean Harvey, um grande nome do rock que demorou muito para ser contemplado no Brasil.

Linda, tímida – aquela timidez meio sacana – e impressionada com a quantidade de gente cantando todas as suas músicas, PJ representa muito bem a perspectiva feminina no rock. Em meio a bandas predominantemente masculinas (predominantemente?), a figura de PJ trouxe o encanto que faltava ao festival. Em duas palavras: charme feminino.

Simpática, entre uma música e outra PJ soltava um “obrigado” e fascinava ainda mais a platéia. A banda que a acompanha tem uma sintonia notável e em algumas músicas como “A Perfect Day Elise” duas baterias eram tocadas. Repito: duas baterias!

Com a guitarra nas mãos ou só com o microfone, PJ hipnotizou o público com as músicas mais antigas como “Down By The Water”, “Me-Jane”, “50Ft Queenie”, “To Bring You My Love”, “Big Exit”, “Good Fortune” e os singles do novo álbum Uh Huh Her, como “The Letter”, “Who the Fuck?” e “Shame”. Surpresa com a interação da platéia, PJ disse nunca ter visto tantos rostos sorridentes antes, com um sorriso que vem do coração. Com tanta doçura e rock´n´roll essa moça quase destruiu o povo.

Uma hora e meia passou rápido e o show terminou sem bis. Ainda seríamos destruídos pelo Primal Scream. Polly Jean - bem equilibrada em cima do alto salto de sua botinha vermelha - já deixa boas recordações de sua voz impecável e competência.

Pill #2 - Primal Scream: uma banda cheia de lendas

Difícil encontrar as palavras mais corretas para explicar o show do Primal Scream. Quem estava perto do palco quase teve os tímpanos perfurados, mas, ainda assim, pulou e delirou como nunca. Já quem estava nos fundos disse ter tido a sensação de ouvir uma grande massa caótica de barulho. Releve as queixas, afinal, trata-se do Primal Scream e a óbvia intenção da banda era fazer mesmo um estrondo.

Grandioso, eletrizante, pesado. Três guitarras absurdas, sendo que uma delas estava nas mãos de Kevin Shields (My Bloody Valentine) sustentavam (ou eram sustentadas?) pelo igualmente absurdo contra-baixo de Gary “Mani” Mounfield (ex-Stone Roses). Enquanto Mani sorria para o povo, o sisudo vocalista Bobby Gillespie (ex-Jesus And Mary
Chain) não liberava ao menos um semi-sorriso, mas, tudo bem, ele é um rockstar e a gente gosta dele mesmo assim.

Gillespie parecia que a qualquer momento cairia no chão. Magro e agitado, vestia uma calça prateada que faria Glória Kalil chorar. A platéia enfeitiçada contorcia-se de acordo com o ritmo agressivo imposto pelo Primal. No setlist teve desde “Acceletator”, “Miss Lucifer”, “City”, “Rise” a “Kill All Hippies”. O primeiro bis contou com as ótimas “Jailbird”, “Medication” e “Movin’On Up”. Para encerrar teve mais um bis, dessa vez com uma cover de “Kick Out the Jams” do MC5.

Foi uma hora de espetáculo sonoro estúpido e inesquecível. Que o Primal Scream não demore vinte anos para voltar.

Palco TIM Lab
Domingo, 7 de novembro de 2004

Pill #3 - A vez do Libertines

O palco já estava muito bem aquecido pelos paranaenses do Grenade quando à meia-noite o grupo inglês The Libertines entrou. Muitas pessoas amontoadas esperavam para ver o vocalista/guitarrista Carl Barat cantar os sucessos da banda.

O destaque do show foi o baterista Gary Powell que, com muito vigor, fez o Libertines soar ao vivo muito mais caótico do que nos álbuns e ainda agradou a platéia ao tocar um ritmo de samba.

No setlist estavam músicas como “Can´t Stand Me Now”, “Up The Bracket”, “Vertigo” e “Time For Heroes”. Depois de quase uma hora no palco, Barat tirou a camisa e cantou a boa “I Get Along”, que finalizou o show. As pessoas ficaram com vontade de mais um pouco e nem imaginavam o que ainda estava por vir com o The Mars Volta.

Pill #4 – The Mars Volta, sempre!

Ninguém saiu inteiro do show que fechou o festival. Quem não conhecia o álbum De-Loused In The Comatorium (2003) aprovou e os fãs da banda - órfãos do At the Drive-In – observaram, paralisados, todas as acrobacias do vocalista Cedric Zavala.

As calças justas de cintura baixa e boca de sino não negavam o estilo retrô e psicodélico complementado pelos cabelos black power. Quanto mais a guitarra sinuosa de Omar Rodriguez-Lopez entorpecia a platéia, mais os movimentos de Cedric tornavam-se imprevisíveis. Ele corria por todos os lados do palco, subia nos amplificadores, plantava bananeira, jogava o pedestal longe e, de repente, arremessava o microfone várias vezes contra os pratos da bateria.

Na camiseta do baterista Jon Theodore a frase “Fuck Bush” estampada falava por si só. O Mars Volta é uma banda agressiva no que diz respeito ao som e visual, mas, acima de tudo, é inusitada. O setlist enxuto teve “Eriatarka”, “Cicatriz”, “Drunkship of Lanters” e talvez apenas mais duas músicas. Foram 45 minutos de show, sem bis. Muito hipnótico para durar mais de uma hora.