Skip to main content

MGMT - Oracular Spectacular

MGMT - Oracular Spectacular

Os fatos nos deixam com curiosidade. 1 - Dave Friddman na produção. O produtor, nada mais, nada menos, trabalhou com bandas de calibre como Flaming Lips e Mercury Rev. Aquelas nuances sinfônicas que os dois grupos apresentam magnificamente foram frutos de Friddman. 2 – O duo ser de Nova York. Por si só, a cidade sempre apresentou bandas boas ao mundo e isso desde o final dos 70. Sobretudo nessa década, o lugar continua gerando bandas de peso e de qualidade. 3 – A banda estar em turnê com o Yeasayer (uma outra banda muito comentada em 2007 e que também engloba uma mistura de estilos abrangentes) e 4 – O MGMT ser justamente mais uma banda nova. Sem muita falação pela internet. Sem muitos sites comentando a sonoridade do grupo. Poucas pistas. E assim, dessa forma, tenho descoberto muitas bandas boas desde 2005. Na sorte, na loteria.

Pronto. Sentidos aguçados. Começamos a audição do álbum. A produção realmente é impecável, tanto que preciso abaixar o volume do meu som. E tudo está concatenado no momento certo: instrumentais, vozes, tudo bem regulado. Em tons precisos. Aí, percebo mais um fato, que se encaixaria perfeitamente como o quinto. A sonoridade da banda é uma mescla sonora de tudo que a música pôde realizar até hoje. O duo soa moderno, sem tirar o pé do status retrô. Vamos notando pitadas de eletropop, glam, space rock, folk, psicodelia sessentista, prog-rock e mais um tanto de estilos suprimidos aqui por critério do resenhista. Não dá para situar uma unicidade, um bloco compacto, sistemático e uníssono. As dez faixas vão se modificando, se alterando, cada música entra como uma surpresa em relação à anterior, e você nunca sabe o que está por vir. Isso, na atualidade, é vantajoso e louvável. Um grupo que joga um mosaico sonoro, mostrando que a música pode ultrapassar limites e se valer de sua própria história ao longo dos anos. Antropofagia musical? A música se alimentando da própria música e seus estilos variados e multifacetados.

Os sintetizadores comandam boa parte das composições. Quer seja na abertura de ‘Time To Pretend’, quer seja na lúdica e contagiante ‘Kids’. Essa segunda, por exemplo, mostra uma letra boba homenageando crianças, claro. Refrão grudento, sintetizadores infantilóides e clima propício para uma pista de dança. Na letra (toscamente traduzindo): ‘vocês deixam suas mães orgulhosas, embora sejam barulhentas’. Momento mais descontraído do disco. ‘Weekend Wars’ ganha tons épicos e toma proporções descomunais em sinfonia de instrumentais grandiosos. Numa indefinição entre glam rock, prog-rock e eletropop e mais alguma coisa que eu ainda nem consegui decifrar. O trunfo da dupla e o toque de Midas que está faltando um pouco hoje em dia. ‘The Youth’ parece música tirada de algum álbum do Sparks (dupla de irmãos que atuam desde os anos 70 e que sempre trazem algo inusitado para os ouvintes). Pois aqui, as vozes ganham mais destaque. Repletas de ecos, envoltas em coro e com toques mais líricos.

Poderíamos misturar a época disco com algo do ‘Moon Safari’ do Air? A resposta: ‘Electric Feel’. Percussões e sintetizadores espaciais dão o toque pseudo-retrô-setentista de ‘4th Dimension’. Por sua vez, a faceta psycho-folk do duo fica mais exposta em ‘Pieces Of What’. Até mesmo a mais calma do disco (mas nem tanto). Fique extasiado com o bonito dedilhado de guitarra junto com a barulheira sonora de ‘Of Moons, Birds & Monsters’. A canção faz lembrar dos melhores momentos de um Pixies ou de um Sonic Youth (é claro que outras reminiscências musicais te virão à mente, MGMT tem essa capacidade). O fechamento com chave de ouro vem sobre a forma da ágil, atordoante e inconstante ‘Future Reflections’. Algo que nos faz lembrar tanto de um David Bowie, bem como algo digno das estripulias do finado grupo oitentista Sigue Sigue Sputnik.

Até agora, ainda no segundo mês do ano, posso afirmar: ao lado do The Ruby Suns, o MGMT (abreviatura de Management) foi a banda que mais ousou. Que mais fugiu do dèjá-vu sonoro que infesta essa rede. Isso está somando pontos para o final de dezembro. Números que se acumulam e podem se transformar em algo valioso, uma possível posição privilegiada num TOP. Porque eles merecem um pódio. E está dito.

Banda: MGMT
Disco: Oracular Spectacular
Ano: 2008
Gravadora: Sony
Nota: 8,8