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Suite Minimal

Wah-wahs, grooves, psicodelia, trilhas musicais, improvisos, balas de bananas, tudo isso e mais um pouco você encontra na recente história musical da Suite Minimal. Esses curitibanos que em 1999 resolveram montar a banda, na qual viajam pelo rock instrumental com influências que vão do jazz ao funk, do dub e ao punk, trazendo uma sonoridade única e pulsante.

Capitaneados pelo selo Inker, a banda tem no histórico o álbum "12 temas embalados para viagem", participações em importantes festivais, desde o Bananada até o DemoSul, passando inclusive pela programação musical do Resfest, badalado festival de mídia digital que aconteceu em 2004, onde dividiram o palco com o Nada Surf, Mombojó e Hurtmold.

A Suite Minimal é formada por Rafael (guitarra), Clayton (baixo) e Vital (bateria), começaram tocando na cena alternativa de Curitiba, mais precisamente no Vox Café, lançaram um cd-demo chamado Ben Johnson, com seis faixas, que depois de algumas modificações e a inclusão de seis novas faixas, acabaram no lançamento do primeiro álbum da banda.

Na entrevista abaixo você descobrirá as histórias, as influências, os projetos para o futuro. Entre grooves e wah-wahs, Clayton (baixo) nos concedeu essa entrevista, bem-vindos ao mundo da Suite Minimal...

Muzplay: Em primeiro lugar queria saber quem teve a idéia de formar a banda, como vocês se conheceram e o que faziam antes de tocarem?

Clayton: Com 16 anos eu comprei um baixo. Tinha acabado de descobrir que a guitarra tinha seis cordas, e o baixo, quatro. Deduzi que seria mais fácil (rs). Comprei um Tonante, no Palácio Musical, e fui todo feliz mostrar para o Rafael, que morava no mesmo prédio que eu. Ligamos ele num 3 em 1, mexemos um pouco, e quando a brincadeira começou a ficar legal, a ponte pulou do corpo do instrumento. A madeira era tão podre que o parafuso espanou. E era novo. No outro dia, troquei por um Jennifer, que era melhor, mas pesava uma tonelada. Comprei o instrumento na sexta, e no sábado eu estava ensaiando com uma banda, de um amigo meu do colégio, que era fanático por rock, e foi quem me convenceu a integrar o "projeto". A promessa era de diversões, mulheres, fama e dinheiro... Hahaha. Era bem ruim, ninguém sabia tocar, mas esse dia foi tão divertido que eu decidi que queria tocar numa banda de rock. Daí o Rafael, que é amigo de infância, tocava piano. Trocamos uma idéia, e ele, então com seus 14 anos, comprou uma guitarra. Decidimos montar a banda, que dúvida. Dois anos depois, encontramos o Vital, que é nosso baterista atual. Isso era lá por 95. Chamamos também o Zé, que era amigo meu da escola. Ele era o outro guitarrista, que saiu da banda no ano passado, logo depois do lançamento do disco.
Tocávamos todo sábado à tarde, no apartamento do Rafael. Era o último andar, então só azucrinava o vizinho de baixo. Era tipo um futebol do "sabadão". A gente tocava essas coisas de guri, Bob Marley, Peter Tosh, Jimi Hendrix, Black Sabbath. A gente fez nessa época uma música própria, chamada "Porquê", que só não entrou no CD da Suite porque depois de tanto tempo tocando ela enchemos o saco de tal maneira... Mas nessa época a gente era a típica "banda de prédio", só tocava em casa, e umas raras vezes numas festas na casa de alguém, em churrasco (rs)... A gente chegou se apresentar em um festival da UFPR, num "palcão", mas era um dia inteiro de shows, e a gente pegou um dos primeiros horários, de manhã. Mas tinha uns perdidos assistindo.. Para nós foi um acontecimento, lembro da nossa empolgação como se fosse hoje. Tínhamos um trompetista, mas nesse dia ele usou um efeito no trompete e o som ficou parecido com um elefante. Dava muito pau na banda também, sempre dá. Mas era um exercício de paciência, de trabalho em equipe.
Um ano depois, a coisa foi se dissolvendo. Já tínhamos outros compromissos no sábados, as primeiras namoradas, aquela coisa, e cada um foi para o seu lado. Passamos quase dois anos sem contato. Até que um dia, eu e o Rafael nos encontramos no elevador e decidimos tentar reunir de novo o mesmo povo, em 99. A gente estava na fissura de fazer um som. O Vital tinha sumido. O Zé tinha virado comissário de bordo, o Rafael estava fazendo cursinho - tocava um rock'n'roll quando matava aulas de manhã. Eu tinha passado o ano vadiando, recém descoberto o underground da cidade, e tocava numa banda de rock bem sessentista chamada Martian Candies. Cada estava vivendo num mundo diferente.
Para que o revival desse certo decidimos que não tocaríamos covers, porque nesse período tínhamos mudado muito, descoberto milhões de coisas novas, na vida e na música, e as velhas músicas não faziam mais sentido. Para dar a largada, instituímos a libertinagem musical - cada um poderia tocar o que quisesse. Não poderia ter dado mais certo. Como ninguém estava a fim de cantar, a gente deixou por isso mesmo, e deu no que deu. Um mês depois, fizemos nosso primeiro show como Suite Minimal, com uma música pronta, e o resto só de improvisos.



Muzplay: O rock instrumental sempre teve uma forte relação com a surf music entre os anos 50/60, principalmente com grupos como The Ventures, Dick Dale e The Shadows, hoje o rock instrumental capta diferentes estilos em sua formação, desde o jazz, o blues e o funk, passando até pelo punk e o eletrônico. Normalmente essas misturas acabam criando atmosferas únicas, o que fazem de cada música uma trilha sonora em particular. Como vocês analisam o rock instrumental hoje em dia?

Clayton: No som instrumental, como não tem o vocalista como centro das atenções, tem que ter outros atrativos para segurar a onda. Na surf music, tem as frases de guitarra, que de certa forma também são "cantadas".. A gente leva nossa música mais nessa linha, porém bem mais influenciado pelo funk dos anos 70, aquela coisa do Wah-wah, que tem bastante relação com a voz, vide o som do Jimi Hendrix. Acho que quando o cara se propõe a fazer um som sem vocal ele tem que abrir mão de várias brincadeiras, em todos os instrumentos, o que acaba emprestando elementos de vários estilos. Eu não vejo o rock instrumental como um estilo... Quando penso no som instrumental hoje em dia, penso que a música eletrônica contribuiu bastante para difundi-lo entre a moçada, em ramificações muito complexas. O pessoal que curte música eletrônica sabe se deixar levar pelo som, ficar pirando horas basicamente na percepção auditiva, o que eu acho bem bacana. O rock, apesar de ser algo bem mais "contemplativo" adquire esse caráter de música para viajar, de evocar imagens, quando é instrumental.

Muzplay: A Suite Minimal tem várias influências que acabam resultando em uma sonoridade uniforme, como vocês filtram essas influências musicais? Quais são as bandas e músicos que fazem parte da formação musical de vocês?

Clayton: A gente não filtra nada, tudo que a gente tem na cabeça e consegue por em prática é agregado no som. O som da Suite Minimal se formou no começo, e a poção foi mais ou menos assim: O Rafael veio com a sua pegada rock'n'roll, que tem um pezão no psicodélico, sendo ele um cara bem íntimo dos Wah-wahs. Ele é dos Stones, do Beatles, do clássicão, do Grand Funk Railroad. O Zé chegou com aquela guitarra "disco". Ele curtia Hot Chocolate, Funkadelic... O Vital, sempre foi chegado no groove, no mangue beat, e ao mesmo tempo soca a bateria como todo discípulo do John Boham... E ao mesmo tempo é fâ de Beastie Boys, Chemical Brothers. E eu, que gosto de fazer no baixo umas linhas bem sessentistas, tipo desenho animado. E tenho comigo uma coisa do reggae e do dub, que é escancarar no grave, usar um baixo bem alto e grave, porque adoro grave e funciona legal no conjunto. Depois que o Zé saiu, e mesmo na época que ele morava na Inglaterra (ele passou três anos lá, e nas férias dele ele tocava com a gente, no resto do ano a gente tocava em trio), a gente se configurou em "power trio", e acabou ficando um pouco mais rock, já que uma guitarra só teve que dar conta do recado. E à medida que a gente foi tocando, nesses anos, a gente conheceu muita coisa. E como sempre o denominador comum foi o groove, sendo ele vindo do rock, do jazz ou do funk, nós piramos coletivamente, desde The Meters ao Lalo Schiffrin, do Primal Scream até Medeski Martin and Wood. A gente também vive se impressionando com o jazz, principalmente aquelas coisas da vanguarda dos anos 60... A liberdade que os caras tinham inspira bastante a gente.. É claro que a gente não tem o conhecimento musical deles, mas isso não importa muito, a lição fica do mesmo jeito. Tem um disco do Duke Ellington, chamado Soul Call, que simplesmente destrói. Ficamos comovidos quando escutamos pela primeira vez.

Muzplay: No Brasil não são comuns bandas de rock instrumental, isso dificulta ou facilita a divulgação do trabalho de vocês, como tem sido a receptividade em relação ao trabalho da banda?

Clayton: Não sei se facilita ou dificulta. Volta e meia a gente escuta "só falta ter um vocal..." Mas depois de 5 anos, a gente já acostumou com isso. E temos duas músicas com voz, e se der na telha nós fazemos mais. Também cogitamos ter um/uma vocalista, já fizemos alguns testes. Mas tem que ser alguém que tenha a ver com a gente, com o som, com idéias próprias e que se disponha a se deslocar com a banda, e a princípio, por conta própria. Ou seja, não é pedir pouco, então não dá pra ter pressa nem esquentar muito com a idéia.

Muzplay: Vocês abriram a turnê do Nada Surf no Brasil, vocês já conheciam a banda, como aconteceu esse convite e quais as lembranças desses shows?

Clayton: Essa turnê dos caras no Brasil foi para divulgar o terceiro CD deles por aqui, o Let Go, que foi lançado pelo selo Inker, que é o selo que lançou nosso álbum também. Por isso rolou essa oportunidade de abrirmos os shows.
Não conhecíamos a banda. E não tínhamos idéia de que eles tinham tantos fâs. Só sacamos isso quando chegamos para passar o som no primeiro show (em São Paulo). Eram 6 da tarde e já tinha gente na fila. Antes desse show a gente ficou meio tenso. Era o primeiro da turnê, e nunca tínhamos tocado para tanta gente, a não ser em festival, que é diferente. No Bananada, por exemplo, tinha muita gente, só que mesmo sem ninguém conhecer a banda, todo mundo chegava junto no palco pra conhecer, pra agitar. Agora, o carinha vai ao show de banda gringa geralmente não quer nem saber da banda de abertura. Daí sempre tem um e outro "mala" na platéia azucrinando, mandando sair fora. E deu pra notar, na primeira música, que o pessoal estranhou o fato do Rafael apresentar a banda, mas nunca começava a cantar. Mas depois que mandamos essa primeira, a gente viu que a maioria curtiu, aplaudiu, daí a gente desencanou e tocou bem na boa. No Rio foi do caralho. Foi num lugar chamado Teatro Odisséia, na Lapa, que é alucinante. Lá a gente assistiu os shows, teve Dubon e Marcelinho da Lua, um Dub ao vivo classe A. E pudemos ver direito o show do Nada Surf, e vimos que os caras mandavam muito bem. Tocar com eles foi também uma lição de profissionalismo. Os caras ensaiavam no camarim, as duas horas antes do show, passando e passando as músicas. Bebida, só depois do show. Setlist, tal, tudo organizadinho. Não sei se todo americano é assim, só sei que funciona. E não tem jeito mesmo, para o som ficar redondo, só tocando muito. Tanto que da nossa "Turnê Novembro", o melhor show foi o último, em Londrina. Entramos antes do Mundo Livre, que fecharia o primeiro dia do Festival DemoSul. O som fluiu como nunca. Nós, por estarmos separados geograficamente (eu em sampa, os dois em Curitiba), não estamos acostumados a fazer cinco shows em um mês, como foi nessa leva. Desses, três foram com o Nada Surf, em São Paulo, Rio e Curitiba. Fizemos também um show no Avenida Club, com o Mombojó e o Hurtmold, aproveitando a nossa passagem em São Paulo. E fizemos também um show surpresa um dia antes do show com o Nada Surf, em Curitiba. Foi num bar que a gente se sente muito à vontade, o Korova. Nós tocamos sentados em uma mesa menos o Vital, claro, tomando uma cervejinha. Foi muito aconchegante. O legal é que como não fizemos nenhuma divulgação, o pessoal que apareceu lá era um público totalmente diferente, que foi pego desprevenido (rs).



Muzplay: Ainda falando em shows vocês participaram de vários festivais, desde o *Resfest (São Paulo), passando pelo DemoSul (Londrina), Bananada (Goiânia), entre outros. Gostaria de saber como vocês tem visto a cena independente pelo país em termos de organização, distribuição, etc?

Clayton: Por esses dois festivais que a gente participou notamos que as bandas e os eventos estão sendo bem organizados. Não tem lugar para amadorismo, essa coisa de atrasar duas horas pra entrar no palco. A única parte ruim é a falta de investimento, o que faz com que a maioria das bandas - as menos conhecidas - tenham que pagar suas próprias passagens, e, às vezes suas próprias cervejas, o que é quase inaceitável. Mas é um caminho que a maioria das bandas novas tem que passar - quem tem grana (os patrocinadores em potencial) não costuma arriscar, falta gente de visão para fazer a máquina funcionar. Mas como músico, eu acho que se você desistir por causa dos perrengues, também não vai ajudar em nada. Já distribuição do material independente não funciona como deveria, mas com certeza está ficando cada vez melhor. Você encontra CD de bandas alternativas em megastores, por exemplo. Mesmo que de forma meio desorganizada. Não fica confinado a uma ou outra loja mais underground.

Muzplay: Os títulos que vocês usam nas músicas chegam a ser engraçados, como na faixa "Toma que o filho é teu" e "O psicopata e seu cachorrinho Yorkshire", de onde vocês tiram essas idéias?

Clayton: Bom, cada uma delas é uma longa história. Umas são simples, outras mais complexas. O Homem do Óculos Escuro Grande, por exemplo, é uma história meio existencial sobre um cara e um equipamento de realidade virtual... O Rafael, de ressaca, veio um dia com essa história. Daí compusemos a trilha sonora. Já alguns títulos são episódios baseados em histórias reais, como O Cigano que Caiu da Carroça. O Vital é o cigano em questão, e ele caiu da carroça lá por 95.



Muzplay: O mercado fonográfico anda meio perdido em relação às novas tecnologias, basta ver o desespero deles em relação ao mp3. Qual é o futuro da música na opinião de vocês?

Clayton: Acho que essa briga da indústria fonográfica com o MP3 é uma coisa séria mais nos EUA, onde o povo tem poder aquisitivo, onde o mercado de disco movimenta milhões. É claro que eles estão de olho no resto do mundo, onde eles controlam também. Mas no Brasil, e pouca gente que tem grana pra comprar CD, que geralmente custa mais de 30 paus. Que adolescente no Brasil pode comprar um, dois CDs por mês? Quando eu tinha 17, 18 anos, eu alugava CDs numa locadora em Curitiba, e assim conheci Jamiroquai, Nick Cave, um monte de coisa, sendo que eu não tinha um puto no bolso! Minha irmã que pagava os 2, 3 reais hahaha. Até que proibiram a locação. Em algumas cidades ainda existe, e acho certo que exista. Tem que democratizar a informação. Daí por isso acho que tem mais é que baixar as músicas na internet. O músico vai ganhar mais com isso do que perder. Na verdade, acho que a maioria dos músicos sabe disso, mas as empresas é que não querem perder um centavo. Mas eu confio nos "nerds" - sendo um deles - e sei que eles vão sempre inventar esquemas legais pra se conseguir escutar as coisas na internet, como o Napster.

Muzplay: Hoje no Brasil não existe mais aquele eixo musical Rio/São Paulo, que nos anos 80 e começo dos 90 era o caminho trilhado por várias bandas vindas do norte e sul do país para divulgarem seus trabalhos, hoje a internet e os festivais espalhados pelas principais cidades dão conta da divulgação da cena local, o que de certa forma acaba criando uma identidade cultural, um exemplo seria Recife. Isso acontece com Curitiba também? Como vocês se encaixam na cultura musical da cidade (festivais, rádios, bandas, etc)?

Clayton: É bom a coisa ter descentralizado um pouco. Na verdade, apesar de sermos de Curitiba, nós não estamos muito ligados a cena de lá. É que como eu mora há 4 anos em SP, a gente não faz shows com uma grande freqüência - a média é um por mês - não estamos acompanhando muito de perto a coisa nem lá nem aqui. Mas sobre essa coisa de identidade cultural, acho que Curitiba tem um pouco, que se reflete nessa cultura psychobilly que tem lá. E não só o psycho, mas outras sonoridades que de um jeito ou de outro aparece lá com bastante qualidade, que é essa coisa meio country, folk. Tem bandas do caralho, com bastante personalidade nessas linhas, como o Bad Folks (folk rock) e Los Diaños (jazz/surf music/psycho).



Muzplay: Vocês têm feito o show baseado nesse primeiro álbum "12 temas embalados para viagem". Como andam as novas composições? Existe alguma previsão para novos lançamentos?

Clayton: Além das músicas do álbum, temos tocado as músicas novas também. Temos mais ou menos umas seis na manga, e tocamos nos shows desse último ano. Só que elas estão ainda em estado mutante. Como nossos ensaios são um pouco rarefeitos, elas vão sendo destiladas aos poucos, o que faz com que elas estejam diferente a cada show que a gente faz. Nessa turnê com o Nada Surf, colocamos só uma ou duas novas na roda, porque pouca gente conhecia o som, então é legal apresentar o disco. Mas nosso plano agora é sossegar um pouco de shows e aproveitar o tempo que a gente estiver juntos para tocar um pouco de "freestyle", viajar sem comprometimento, e consequentemente - mas sem se pressionar demais - renovar o repertório. Talvez até o final do ano saia um disco novo, nunca se sabe.

Muzplay: Vocês começaram como quarteto, teoricamente agora são um trio, mas quando tocam em São Paulo viram um quarteto novamente com a participação de Maurício Fleury tocando órgão nos shows, o que acaba "engordando" o som de vocês. Isso é uma "exclusividade" de São Paulo ou vocês pretendem aumentar a banda?

Clayton: O Maurício é amigo nosso e temos muita afinidade musical também. Só que as participações dele são especiais. Depende da disponibilidade do cara. Agora ele está bem empenhado com alguns projetos em São Paulo, incluindo a outra banda dele - o Multiplex - que não fica fácil pra ele acompanhar também o nosso ritmo, ainda mais sendo que nosso quartel-general ainda é uma cabana em Curitiba. Daí a gente não sabe quando vai tocar junto de novo - é uma coisa que precisa de toda uma conspiração cósmica para acontecer. Isso ocorre também com outras participações de músicos, como o Bolinha na percussão ou a orquestra do Matias Capovilla, que chegou a gravar com a gente no disco. Se dependesse da vontade da banda, a Suite Minimal seria uma big band. Mas aos fâs, a gente só promete mesmo o power trio. O que vier a mais é lucro.

Muzplay: Vocês citam trilhas de filmes policiais como uma das influências da banda. Quais as melhores trilhas de cinema na opinião de vocês?

Clayton: Vou falar por mim: As trilhas do Henri Mancini pros filmes da Pantera Cor-de-Rosa. Tem a trilha de Blow-Up, que é do Dave Brubeck. O filme é genial, e ainda tem a participação do Yardbirds, que é impagável. Gosto muito também da trilha do A Primeira Noite de Um Homem, que é do Simon & Garfunkel, apesar de não ter nada a ver com o nosso som. Ah, e tem o Lalo Schiffrin, pianista argentino que criou trilhas alucinantes, como de vários filmes do Bruce Lee, Missão Impossívcel. Tem um LP dele, chamado "There's a Whole Lalo Schiffrin Going On" que é fácil de
encontrar em sebo, barato, que é um dos meus discos favoritos. Só que é o bolachão, vinil.

Muzplay: Ainda no assunto cinema, no site vocês informam sobre alguns projetos da banda, como um longa-metragem. Quem vocês escolheriam para os atores principais de um filme da Suite Minimal e como seria a trilha sonora?

Clayton: Ewan McGregor como "Rafael Cidral", Gael García Bernal como "Clayton Junior", e Ben Stiller como "Vital Pasquale". Angelina Jolie como "A Groupie que não deixa a banda em paz", Kevin Spacey como "O empresário decadente" e Jack Nicholson como "O psicopata (e seu cachorrinho Yorkshire)". Na trilha, versões dos clássicos da Suite interpretados por James Taylor Quartet, Beastie Boys, Cardigans, Stevie Wonder, João Gilberto e Man Or Astro Man. Além de um remix de João Jogador Especial, pelo Chemical Brothers.

Muzplay: A faixa John Samplers Special (JJE 2001 Vitales Mix) tem um lado mais eletrônico, porém, a banda tem uma pegada mais rock, vocês pensam em trabalhar mais esse lado? Algum artista tem chamado à atenção de vocês por esse estilo?

Clayton: A gente pensa sim. O Vital é quem domina um pouco a área, foi ele quem fez o remix. Ele é bastante influenciado pelo som do Chemical Brothers, Moby. Temos um projeto na manga que é fazer um disco só eletrônico. Só
que não é a grande prioridade, então a gente leva mais na diversão. Algumas faixas já estão prontas. Jogamos também algumas músicas de "12 Temas" na mão de alguns amigos do ramo eletrônico, e a qualquer momento pode aparecer um remix feito por algum deles.



Muzplay: Para finalizar, qual o balanço que vocês fazem da carreira de vocês e quais os planos pro futuro? E quando será a inauguração da fábrica de balas de banana?

Clayton: Acho que foi muita diversão, muitas sensações intensas nesses cinco anos de banda. Se o Rafael estivesse aqui ele soltaria aquela do Roberto "Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi". Mas a gente sente como se ainda estivesse no começo. E por mais que a gente queira tudo na hora, a lição que a gente tira é que é a gente sobe um degrau por vez. Com a fábrica é assim também. Arrendamos as instalações, mas falta grana para o maquinário. No momento, a Dona Neuma faz "cuque" de banana, para ajudar no orçamento da família, que também aproveitam o pátio da fábrica para dar aula de expressão corporal. Mas ela também tem aulas de Excel e de Corel Draw, e assim que a fábrica estiver pronta, ela será nossa sócia-gerente.

Discografia:
"12 temas embalados para viagem" (Inker, 2003)

Site Oficial: www.suiteminimal.tk
Site Relacionado: www.tramavirtual.com.br


Por: Adriano Moralis
Fotos: David Sakai, Digão e Daniel Caliman