Pular para o conteúdo principal

Novas Fórmulas Para O Cinema

Seven

Começo me confessando que sou um cinéfilo de carteirinha, e isso vem desde os meus 10 anos de idade. Sou daqueles que não conseguem ficar sem locar um filme por mais de duas semanas. Com essa referência, estou aqui para dizer que já vi muita coisa em termos de idéias cinematográficas, de dinossauros até seres alienígenas (bons ou maus). Acontece que, nos últimos anos, tenho visto um certo cansaço em produções cinematográficas; ou seja, fórmulas repetidas à exaustão, além de aquelas plagiadas e com poder enorme de fazer escola (vide “Matrix” e “Sexto Sentido”). È lógico que não estou generalizando, há ótimas e inovadores produções, baratas por sinal, e que deram certo (o filme “Seven” foi uma delas).

Com esse plágio desenfreado e com a fórmula sempre repetida, a indústria cinematográfica precisou de outros recursos (mais visuais) e outras idéias para, pelo menos se a fórmula for igual a outras tantas, fazer com que o telespectador fique grudado na cadeira até o final do filme. Por exemplo, quando assisti “No Rastro da Bala’ (emprestado por um colega meu); notei aquela velha história: bandido contra bandido, policiais corruptos e traições. Porém, a trajetória da bala ficar em câmera lenta, personagens psicóticos e cenários sujos (lembrando os filmes de Sérgio Leone e Quentin Tarantino), a história que muda a cada momento (de bandidos aparecem cafetões e pedófilos) acabou fazendo com que eu fosse até ao final.

Querem mais recursos: as coreografias à la Matrix; o close dentro da arma do atirador mostrando até o número de projéteis (V de Vingança); animação com personagens reais (“Roger Rabbit” e “Space Jam”, entre tantos exemplos); narrativa quebrada ou invertida (“Amnésia”); futuros não muito possíveis de acontecer (“Minority Report”); e temos muitos outros.

Uma outra coisa que tenho reparado foi o sumiço do mocinho, ou melhor, alguns filmes já não tem a noção verdadeira do bem ou do mal, do mocinho ou do vilão. A película pode mudar de uma hora para outra e os papéis podem ser inverter. É chocante para alguns telespectadores o filme terminar sem um herói no final, ou sem aquele belo casalzinho sobrevivente que era clichê, sobretudo em filmes de terror.

Muitos filmes se assemelham também a Graphic Novels (“Sin City” e “V de Vingança”), e também começaram novamente a época dos heróis (a Marvel em peso, por sinal). Quanto aos filmes adaptados de romances, esses são considerados como “faca de dois gumes”; foram poucos que conseguiram captar a magia da obra literária (sempre achei que o filme não consegue expor tão bem a característica psicológica do personagem quanto o livro).

O problema é que, com tantos recursos, fica difícil estabelecer um limite entre a ficção permitida e a hiper-fantasiosa, a inverossímil. Ora, mas a magia do cinema não seria essa? Apenas entreter? Tinha amigos que só conseguiam ver filmes de arte e depois me falaram que passaram a ver um pouco mais da mentira “hollywoodiana”. Eu mesmo acredito que, como bom cinéfilo, precisamos ter um conhecimento maior de filmes, para aí sim, separar o “joio do trigo”. Outra coisa que considero interessante e já foi tema de trabalho meu, é se trabalhar com a dupla personalidade ou até mesmo com a dupla narrativa. No primeiro caso, temos o ótimo “Clube da Luta” e “O Maquinista”; já no segundo, a trilogia “De Volta para o Futuro”, embora já datada, trabalhou bem o conceito de dois (ou melhor, três) tempos narrativos: passado, presente e futuro.

E, não poderíamos deixar de citar aqueles que mexem com nosso psicológico. “Efeito Borboleta” é um deles, chega a ser tão intrincado que eu e meus colegas de classe precisamos de 3 aulas de psicologia na faculdade para discutirmos sobre ele.

Não vou me alongar. O que quero explanar aqui, é que, embora o cinema tenha se saturado em idéias, ainda é legal e muito compensador ficar em frente da telinha e apreciar um filme. A emoção da sétima arte emociona e empolga sempre.  Só espero que uma nova “safra” de roteiristas, diretores e produtores (junto com os já conhecidos dos cinéfilos) possam dar um novo fôlego para as próximas produções. Não queremos mais tantos “remakes”, vimos “Guerra dos Mundos” e sabemos disso.

Obs.: Perdão por citar muito o cinema americano, foram os filmes que me vieram no pensamento enquanto elaborava esse texto. Outrossim, quem quiser postar comentários, pode deixar uma dica de um filme com uma trama inovadora que assistiu.