
(Na foto, dois personagens de LOST: Kate e Jack.)
Redundante dizer agora, nessa altura da modernidade, os benefícios e os malefícios que a internet trouxe. Prefiro ficar com a primeira opção que me ajudou deveras, sobretudo em conhecer novas bandas, resgatar coisas de minha adolescência e pesquisar antecipadamente sobre o que gosto de escrever.
Um dos benefícios foi poder acompanhar as séries – ou seriados, como muitos costumam dizer – que são sucesso lá fora e que começam a pipocar por aqui nas tv’s por assinatura. Diga-se de passagem até, os vulgos enlatados americanos (termo já usado em décadas anteriores e que ainda perdura). Com uma boa conexão e com programas específicos para rodar os arquivos baixados (rmvb, avi, wmf, etc), tal tarefa torna-se prazerosa. E ainda você tem a regalia de acompanhar a série juntamente com os americanos, além de antecipar a exibição nas ‘Redes Globos’ da vida. E olha que as tv’s convencionais passam em horários para quem não faz nada no outro dia, e muitas ainda deixam o espectador a ver navios retirando os episódios do ar.
Daí parte a minha pergunta do título de tal matéria. Inclusive, um amigo meu estava comentando em seu fotolog sobre a série de sucesso ‘House’ num dia desses e comentei que, um dos motivos de acompanhar tal espécie de programa – ou entretenimento – foi justamente pela qualidade de nossas redes convencionais. Um dia de domingo, por exemplo? Não dá mesmo. Ou você é fã de esportes, ou fica com os saturadíssimos programas de auditório que nada mudaram desde a época do Chacrinha. O que é pior: hoje pregam massivamente o sensacionalismo e as tragédias que nos abalam, além de simularem uma pseudo-comiseração com a miséria humana. Triste!
Além do quê, penso que as séries como Heroes, Lost e Carnivale – as quais acompanho – trazem o universo literário fantástico mais à tona. Ora, é só comparar com nossas novelas (que seriam as nossas séries, por assim dizer) e vamos traçando comparações e diferenciações entre elas. Nossas novelas mesmo caem no ultra-romântico, tramas arcaicas e obsoletas e narrativas mais do que cômicas e insossas. Além de tentarem chocar com temas polêmicos – para muitos ainda - como homossexualismo e aborto e sempre acabarem por se perder nas próprias idéias. Mesmo quando a trama começa interessante e cria uma inovação, a exemplo de ‘A Próxima Vítima’, tudo se esvai e até o vilão da história se torna maçante. E olha que o personagem – o vilão - é que geralmente rouba a cena em narrativas.
Não estou querendo exaltar ao extremo as séries americanas. Elas têm lá seus erros e falhas: atores não tão convincentes, repetição de algumas com temporadas exaustivas e histórias meio que copiadas (‘Heroes’ seria imitação de ‘X-Men’?). Mesmo assim, repito: ninguém tinha tido uma idéia tão legal quanto em LOST. Não vai me dizer que houve empolgação de muitos pelo menos na primeira temporada? Eu mesmo continuo confiando na série, sobretudo com o final da terceira. Se você quer narrativas fáceis, aconselho cair fora. Nossos cérebros cartesianos talvez não estejam acostumados com a multi-linearidade que alguns seriados assumem. Ainda temos que ter em mente, que a idéia de início-meio-fim acabou nos dias atuais, assim como a idéia de mocinho e vilão tornou-se muito contraditória. O escritor americano William Faulkner, desde o início do século passado, já realçava suas obras com essa questão de fazer o leitor pensar.
Para mim, tudo veio através de meu colega de serviço. Ele baixou um episódio, gostei e segui adiante. Nas horas de almoço aqui na minha firma, virou mania acompanhar vários seriados. Esse que vos escreve, que sequer tem tv a cabo, tem um modo de seguir acompanhando o que acontece em tal tipo de exibição. E você tem uma mega de opções: desde desenhos (‘Simpsons’, ‘Family Guy’, ‘A Caverna do Dragão’) até séries antigas, que te fizeram ficar grudado na frente do seu televisor, a propósito de ‘Miami Vice’. Agradeça a redinha por manter isso vivo, por nos dar algo mais que nossos onerosos impostos não nos fornecem. Se você tem uma conexão devagar, peça o obséquio de um amigo seu para pegar os episódios e gravar num simples cd-r. Só lembrando que você precisa ter o Windows XP. Se por acaso vier na extensão AVI, é so passar para DVIX e assistir num DVD player mais atual (se bem que a maioria dos aparelhos novos já lêem a extensão). Escolha a série de sua preferência e bom divertimento.