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Algumas indicaões musicais para 2007 (Parte 1)

Laura Veirs

(Parece uma colega sua do tempo de colégio, mas é dona de um dos grandes discos do ano)

No exato momento em que nos encontramos, praticamente no final do ano, penso que não seja muito encorajador escrever mais uma resenha de mais uma banda surgida em mais um site da internet. E como algumas listas já aparecerão brevemente publicadas em diversos segmentos da mídia, resolvi fazer aqui um apanhado do que ouvi neste ano e do que fica ainda tocando em meu MP3 player. Não pensem como um TOP ou algo semelhante. È apenas uma colaboração para alguém que curte música como eu, mas deixou passar algo de valor. Logo, se você se sente confuso em baixar mais um grupo, dê uma conferida nesta minha lista (com um conciso comentário). E podem criticar também, estamos sempre de olhos abertos para mais críticas ou sugestões/dicas. Observação: os números também não indicam minha preferência.

1 – Studio (‘Yearbook 1’) – Dupla de suecos que fazem um trabalho calcado na eletrônica, ora apresentando linhas de dedilhados de guitarras à la Durutti Column (aka Vini Reilly), ora representando a cena Madchester (Happy Mondays por exemplo). Ou seja, muitos disseram que o duo se passa tranqüilamente como se fosse da gravadora Factory. Eu, claro, assino embaixo. E também, junto com Tulsa, The Mary Onettes e Tough Alliance, mais um a retratar a música anos 80/90.

2 – Prints (‘Prints’) – Internet tem disso. Julgar capa de disco mais ainda. Ninguém daria nada por um disco cuja capa mostra uma espécie de toalha de mesa (ou ainda um papel de parede antigo), certo? Mas, ledo engano. Prints merece toda confiança. A principio, fazem um som (por incrível que pareça) que não remete a ninguém. Depois de umas 5 audições, você vai notando semelhanças com um Polyphonic Spree menos festivo, ecos de psicodelia anos 60/70, um pouco de Animal Collective/Panda Bear, um pouco do indie-pop atual. Tem até momentos que remetem a uma melódica bossa-nova, como em ‘Blue Jay’. Destaques para os dedilhados de guitarras e para as tramas vocais - as tônicas do disco.

3 – Vampire Weekend (‘Vampire Weekend’) – Os Vampiros nova-iorquinos serão comentados realmente, só no ano que vem. Isso porquê o disco desse ano, que leva a alcunha de ‘Cd-r Unreleased’, nada mais é do que uma espécie de demo/divulgação do próprio grupo em finais de seus shows. O disco oficial só em 2008 (a gravadora ainda é desconhecida de minha parte). Mas, com toda essa tecnologia moderna envolvida em fazer música, os caras mostram: para quê gravadora? Para quê muita produção? Num misto da cena punk nova-iorquina final dos anos 70, um pouco da Two-tones (Specials e Madness) e ainda adicionando a ousadia de um Paul Simon fase ‘Graceland’, os vampiros tecem seu som, talvez mais compreendido para o futuro.

4 – Einstuezende Neubauten (‘Alles Wieder Offen’) – Nos anos 80, ser um dos expoentes da música industrial alemã foi um prazer para Blixa Bargeld (um dos fundadores do grupo) e sua turma. Mas, como tudo é esquecido, tudo não passa de febre momentânea, por vezes outras modas encobrem a antiga, como ficaram os teutônicos? A resposta vem em forma de um petardo sonoro, digno de uma banda madura e consciente de sua época e de seu valor; de tudo que já influenciou para os grupos posteriores. Tudo bem diferente da porrada sônica que foi o ‘Haus der Luege’ (1989). Numa mistura de quase monólogos (‘Die Wellen’), receita de se fazer uma balada (‘Nagorny Karabach’) e ficando no limiar entre o silêncio e o barulho (‘Von Wegen’), a banda mostra-se viva (embora nem ainda estimada como deveria ser).

5 – Liars (‘Liars’) – Sinceramente, Liars assusta. Mas é um espanto como há muito tempo eu não via neste cenário musical. Aí, algum detrator vai tentar achar defeitos dos mais variados. Esqueça. Um trio que junta toda a história da música (e aí você coloca juntos no caldeirão o kraut-rock até o indie-pop atual), não é para qualquer concorrente. E olha que lançaram o excelente ‘Drums Not Dead’ com praticamente um ano de intervalo. Fatos de uma banda que sabe o que está fazendo. Destaques novamente para as percussões (porém aqui elas não são o carro-chefe como no anterior) e para a surpresa que cada início de canção envolve. Punk, art-rock, psicodelia e até como se fazer música dançante sem soar banal (‘Houseclouds’).

6 – Andrew Bird (‘Armchair Apocrypha’) – Não esqueço até hoje. Baixei Andrew Bird com medo. Um cara com nome de pássaro, mesmo artisticamente falando, deve ser um pretensioso demasiado. Aí, quando começo a ouvir o disco à noite, no escuro e solitário mundo de meu quarto, grito bem alto e falo: Nossa, eu tenho que falar para meus amigos amanhã bem cedo para prestarem atenção ao Andrew. Sentimento individual à parte, enquanto muitos citam Jay-Jay Johansson e Jens Lekman (nada contra, são excelentes artistas também), eu fico com Bird. Porquê suas canções fizeram arrepiar minhas vísceras, porque me fizeram lembrar que a arte musical ainda é empolgante e ainda te leva para um outro plano espiritual. O êxtase da arte. Tudo bem agregado: a voz (meio Thom Yorke, mas e daí?), violinos, assovios, backing vocals, mudanças de andamentos. Uma lição de como fazer música, e fica bem resumido assim.

7 – Laura Veirs (‘Saltbreakers’) – Do lado das cantoras, fico com a simplicidade contagiante de Laura Veirs. Menina com cara de nerd, mas que canta como o rouxinol de uma de suas letras do disco. Muitos nomes femininos figuraram neste ano, mas Laura ficou no meu aparelho e sequer não saiu do repeat. Depois do maravilhoso ‘Year Of Meteors’ (2005), eis que surge essa pequena, embora linda surpresa. A música? Ora, podia tocar em nossas rádios sem problemas. Nada excepcional. Ela já fez vocais de apoio em algumas canções do Decemberists, mas só esse retrospecto não é desculpa para se envolver com sua sonoridade. Apelo pop, músicas com refrão pegajoso, um bom acompanhamento instrumental, e aquela saudade de fazer melodias como The Sundays fazia. Eu brinco e chamo ela de um Andrew Bird de saias, e que venha o próximo.

Depois, em outra ocasião, volto a fazer uma segunda parte, tentando completar um total de 15 indicações. Deixarei mais oito, dentro de meu possível. Sempre com informações rasteiras, mas que possam dar mais chances a quem quer conhecer outras opções em 2007.