Dentro da história do rock brasileiro, o Ira! merece um destaque especial. Não somente pela longa trajetória, mas pela música que conquistou uma legião de fãs. Canções como "Dias de luta", "Núcleo Base", "Mudança de Comportamento", "Pegue Essa Arma", entre outras, fizeram do Ira! uma das bandas mais aclamadas do rock brasileiro dos anos 1980.
O Ira! foi formado em 1981 — no início sem o ponto de exclamação — e com o nome inspirado no Exército Republicano Irlandês. Antes, o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi já tinham tocados com o Subúrbio, banda criada por Scandurra no final dos anos 1970, sob influência da movimento punk e que em shows realizados em colégios teve como destaque a canção "Pobre Paulista", música que mais tarde se tornaria um hit com da banda. Mas, anos mais tarde, já nos anos 1990, seus versos "Não quero ver mais essa gente feia / Não quero ver mais os ignorantes / Eu quero ver gente da minha terra / Eu quero ver gente do meu sangue" gerariam uma polêmica, sendo acusada de uma canção xenofóbica. A banda acabou retirando a canção de suas setlists a partir do início dos anos 2000.
Na primeira formação, além de Scandurra e Nasi, a banda tinha Fábio Scatone (bateria) e o Adilson (baixo). Essa formação mudaria tempos depois. Em 1983, com Charles Gavin (Titãs) na bateria e Dino (ex-Suburbio) no baixo, saiu o primeiro registro da banda, um compacto com as músicas "Pobre Paulista" e "Gritos na Multidão".
O primeiro disco do Ira!, Mudança de Comportamento, foi lançado em 1985, já com com a formação definitiva: Nasi (vocal), Edgard Scandurra (guitarra), André jung (bateria) e Ricardo Gaspa (baixo), e com o ponto de exclamação.
Em 1986, o grupo lançou Vivendo e Não Aprendendo. As canções "Dias de luta", "Envelheço na Cidade", "Vitrine Viva" e "Flores em Você", que foi tema de abertura da novela O Outro da rede Globo, fizeram o álbum vender em torno de 300 mil cópias.
A maturidade do grupo veio em Psicoacústica, que mesmo não tendo o sucesso do disco anterior, tornou-se cultuado. "Rubro Zorro", "Manhãs de Domingo", "Receita Para Se Fazer Um Herói", "Pegue Essa Arma" , "Farto de Rock and Roll" e "Advogado do Diabo" são canções que mostraram a banda buscando novas possibilidades para a sua música em Psicoacústica.
Além dos álbuns citados acima, o Ira! gravou os seguintes álbuns: Clandestino (1989), Meninos da Rua Paulo (1991), Música Calma Para Pessoas Nervosas (1993), 7 (1996), Você Não Sabe Quem Eu Sou (1998), Isso é Amor (1999) e MTV ao Vivo (2000).
Música Calma Para Pessoas Nervosas foi o último disco do grupo lançado pela Warner, gravadora na qual o Ira! trabalhou desde o primeiro compacto. O disco 7 e Você Não Sabe Quem Eu Sou, que recebeu o prêmio de Melhor Produção de Rock dado pela a Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA, foram lançados pela gravadora Paradoxx.
Realizando um antigo projeto, em 1999, a banda lançou um disco de releituras. Isso é Amor traz covers de Lobão ("Chorando no Campo"), Legião urbana ("Teorema"), Ronnie Von ("Minha Gente Amiga"), Gang 90 ("Telefone"), Wander Wildner ("Bebendo Vinho"), entre outros.
Apoiado no sucesso de Isso é Amor, o grupo lançou no final de 2000 um disco ao vivo. MTV ao Vivo - Ira! foi lançado pelo selo Abril Music e foi gravado em setembro de 2000 para um especial da MTV brasileira. Além do formato CD, o show foi lançado em DVD. Este registro traz os as "Dias de Luta", "Coração", "Gritos na multidão", "Núcleo base" e "Pobre Paulista", e algumas músicas inéditas, como "Superficial Como Um Espinho" e "Vida Passageira". De Isso é Amor tem "Bebendo Vinho". Também fazem parte do repertório as músicas "Logo de Cara" (Kiko Zambianchi, com letra de Marcelo Rubens Paiva) e "Inundação de Amor" (Ciro Pessoa e Julio Barroso).
Na sequência, o Ira! lançou os álbuns Entre Seus Rins (2001), Acústico MTV' (2004) e Invisível DJ (2007).
Em 2007, após o lançamento do álbum Invisível DJ, Nasi brigou com o empresário da banda, o seu irmão Airton Valadão, e se retirou do Ira!. A saída do vocalista provocou um indeterminado fim da banda, que não aconteceu. O grupo retornou em 2014, porém, sem a presença de Jung e Gaspa.
Com os remanescentes Nasi e Scandurra, e músicos convidados, a banda lançou IRA em 2020.
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