Formado em Santo André, no ABC paulista, em 1988, o Pin Ups tornou-se uma das maiores referências do rock alternativo independente brasileiro. Criado por Zé Antônio Algodoal e Luís Gustavo, o grupo fez sua primeira apresentação com André Benevides nos vocais e Alexandre Kail na bateria. Pouco depois, consolidou-se como trio: Zé Antônio na guitarra, Luís Gustavo no baixo e vocais e Marcos “Marquinhos” Abreu — posteriormente conhecido como Marco Butcher — na bateria.
Com o nome inspirado em um álbum de David Bowie, a banda combinava guitarras distorcidas e letras em inglês, unindo influências do indie britânico, da psicodelia e do rock americano. Essa identidade marcou a estreia com Time Will Burn (1990), álbum que reuniu faixas como “Sonic Butterflies”, “The Groover” e “Kill Myself”, ajudando a firmar o grupo no circuito underground.
Já com Alexandra “Alê” Briganti no baixo, o Pin Ups explorou arranjos mais acústicos e psicodélicos no EP Gash – A Mellow Project (1992), que incluiu uma versão de “A Day in the Life”, dos Beatles. O caminho mudou novamente em Scrabby? (1993). Com produção creditada a João Gordo (Ratos de Porão) e gravação e mixagem de RH Jackson, o terceiro álbum apresentou uma sonoridade mais agressiva, marcada por guitarras ruidosas e vocais intensos.
Em Jodie Foster (1995), primeiro disco da banda lançado em CD, Luís Gustavo ainda atuava como vocalista principal. Sua saída ocorreu logo após o término das gravações, momento em que Alê assumiu os vocais definitivamente. A mudança abriu caminho para uma fase mais melódica, sem perder o peso característico das guitarras. O trabalho também inaugurou uma trilogia de títulos em homenagem a atores de cinema.
Essa nova direção se consolidou em Lee Marvin (1997), disco recheado de melodias pop, passagens aceleradas e faixas marcantes como “Weather”, “Guts” e “You Shouldn’t Go Away”. Com Alê na voz e no baixo, Zé Antônio e Eliane Testone nas guitarras e Flávio Cavichioli na bateria, a banda viveu uma de suas fases mais elogiadas. A trilogia de homenagens foi encerrada com Bruce Lee (1999), projeto que reuniu três músicas inéditas de estúdio e um registro acústico ao vivo.
Após constantes trocas de integrantes e o breve retorno de Luís Gustavo, o grupo interrompeu as atividades em 2001. Em 2015, reuniram-se no Sesc Pompeia, em São Paulo, para um show anunciado como despedida. A forte recepção do público, no entanto, estimulou a retomada definitiva da banda.
Com Adriano Cintra na segunda guitarra, o Pin Ups lançou Long Time No See em 2019, exatamente duas décadas após Bruce Lee. Produzido por Zé Antônio e Cintra, o álbum contou com participações de Jim Wilbur (Superchunk), Pedro Pelotas, Eliane Testone e outros convidados, inaugurando um novo capítulo na trajetória do grupo.
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